18/03/2017

Entenda sobre o rombo da previdência

O nosso sistema previdenciário é insustentável, irracional e, acima de tudo, injusto. Hoje, todos os trabalhadores são forçados a ingressar num sistema de pirâmide que penaliza os mais pobres e mais jovens e só beneficia a já abastada elite do funcionalismo público.

No mundo, podemos observar quatro situações diferentes nos sistemas previdenciários. Existem países com grande proporção de idosos e que, por essa razão, gastam muito com benefícios previdenciários. É o caso de países europeus desenvolvidos como a Suíça e a Itália. A segunda situação é a de países que, mesmo tendo grandes parcelas de idosos na população, gastam relativamente pouco com aposentadorias e pensões por possuírem sistemas previdenciários mais sustentáveis. É o que acontece na Austrália e no Canadá, por exemplo. A terceira situação é a de países cuja população é jovem e, consequentemente, gastam pouco com previdência. Exemplos são o México e a Coreia do Sul. Por fim, temos a quarta situação: país com população jovem, e, ao mesmo tempo, altos gastos com benefícios previdenciários. Só um país possui essas características: o Brasil.

Para se ter uma ideia da distorção, cerca de 1.9 milhão de funcionários públicos aposentados e pensionistas recebem metade do que se paga a todos os 32.6 milhões de beneficiários do INSS. Ou seja, para cada R$1,00 pago para trabalhadores que se aposentaram pelo INSS, mais de R$8.5 são gastos com os benefícios para o funcionalismo público.

Se mantivermos o atual sistema, daqui a 20 anos não haverá dinheiro para pagar quem estiver aposentado. Pior: quem estiver trabalhando terá de pagar um rombo impagável e não poderá se aposentar. Continuar sustentando a atual pirâmide previdenciária significa sacrificar os nossos idosos e escravizar as futuras gerações.

A reforma proposta pelo governo Temer visa apenas estancar o déficit, mas não encara o problema de frente. Precisamos de uma solução definitiva, não um paliativo. Por isso, o MBL apoia a reforma desenvolvida pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) que acaba com a desigualdade institucionalizada pelo atual sistema previdenciário, garante a aposentadoria dos idosos e gera emprego para os mais jovens.

A partir dela, o movimento desenvolveu uma emenda aditiva para o projeto do governo baseada na proposta da Fipe. Para que a emenda seja discutida na comissão que analisa a reforma da previdência, precisamos da assinatura de 171 deputados.

Mais dinheiro no bolso do trabalhador, emprego para os mais jovens e aposentadoria digna para todos. Essa é a proposta da nossa emenda. Nenhum direito a menos. Pelo contrário: garantimos os direitos de todos, dos jovens aos idosos. Sem privilégios para ninguém.

Essa conta não é do trabalhador. Essa conta não é da juventude. Essa conta não é das gerações futuras. Essa conta é da elite privilegiada do funcionalismo público. E é ela que deve pagar.


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