12/11/2018

Desenvolvimento e Integração Nacional

Desenvolvimento e Integração Nacional

Desenvolvimento e Integração Nacional
Desenvolvimento e Integração Nacional - Antropologia brasileira (Brasil)
A antropologia brasileira é o que Marisa Peirano (2006) denominou "antropologia da periferia" e, portanto, possui características peculiares.

Uma das grandes questões que balizou o desenvolvimento da antropologia brasileira foi como equacionar a diversidade cultural com a integração nacional. Desta premissa percebe-se duas discussões importantes: 1) se a antropologia feita na Europa era realizada em terras distantes, onde a alteridade podia ser confrontada, no Brasil, por sua vez, o outro estava "em casa" – havia, portanto, fronteiras internas no território nacional a serem transpostas; 2) nota-se a emergência de uma antropologia engajada politicamente, seja na política indigenista de integração das sociedades indígenas à sociedade nacional, ora refletindo sobre a questão da integração nacional, em especial a expansão de fronteiras agrícolas e seu impacto.


Estudos indígenas

As primeiras décadas da antropologia indígena brasileira foram marcadas pela preocupação com a questão do contato. Os motivos eram evidentes: tratava-se de um período de ampliação das fronteiras nacionais; as frentes de expansão travavam contato com grupos nativos, muitos dos quais desconhecidos. As teorias do contato, originadas na escola norte-americana, ganharam destaque. Inicialmente com a ideia de aculturação, mas que aos poucos deram lugar a teorias locais, como as de transfiguração étnica e fricção interétnica. Na noção de aculturação a questão do conflito e da dominação estava ausente. Justamente o que os conceitos formulados por Darcy Ribeiro e Roberto Cardoso de Oliveira pretendiam abordar. Por sua vez, ideia de fricção interétnicachamava atenção para a fronteira, onde as relações (e tensões) decorrentes do contato entre grupos acontecem.

Quais seriam os impactos destes encontros para as sociedades indígenas?


Contatualistas e americanistas

Os estudos indígenas, chamados no Brasil de Etnologia, possuem basicamente duas vertentes: a primeira é herdeira dos estudos do contato, cuja preocupação central é a relação entre sociedades indígenas e o território nacional; a segunda procura entender as relações internas dessa sociedade, considerando sua temporalidade, relações com o mundo natural, mitos, ritos, etc.

Os primeiros, chamados de contatualistas, enfatizam uma etnologia feita "nas fronteiras" com a sociedade brasileira. Questões como o território e o pertencimento são enfatizadas. Na década de 1990, os contatualistas abordavam a emergência de etnias consideras extintas.

Já o segundo grupo, conhecidos como americanistas, questionam a preocupação com o histórico do contato. Segundo eles, a história do contato é uma história dos "brancos", ou seja, de nossa sociedade. Cabe entender como o contato é compreendido internamente pelos grupos.

Estudos Rurais

Os estudos rurais abordam a questão do campesinato, e estão diretamente associados à expansão das fronteiras nacionais e do capitalismo. Em parte, esta associação deve-se à própria característica das sociedades camponesas e sua relativa – mas não total – autonomia em relação ao mercado.

Desde o início do século XIX uma série de estudos sobre o campesinato chamava atenção para uma lógica divergente do capitalismo: em vez de a produção ser destinada à comercialização, apenas o excedente é vendido. Trata-se de uma produção voltada ao consumo do grupo. A terra não é uma mercadoria, no sentido capitalista do lucro: a terra ao prover a subsistência é, portanto, um bem de outra ordem – no caso, de ordem moral. Nos anos 1960 e 1970, a expansão do capital chamam atenção para os impactos provocados sobre a população camponesa. Quais seriam os efeitos da expansão do capital sobre essa ordem moral?


Antropologia urbana

Os estudos urbanos nasceram da preocupação com as mudanças de hábitos e comportamentos decorrentes do surgimento das grandes metrópoles. No início do século XX, Georg Simmel chamava atenção para a relação entre a metrópole e as novas formas de sociabilidade.

No Brasil, inicialmente a metrópole despertava interesse sociológico, pautado na proletarização e nos modos de produção fabril. Apenas aos poucos a preocupação com novas formas de sociabilidade foi ganhando espaço.

É importante destacar duas abordagens presentes nos trabalhos de Gilberto Velho e Magnani. O primeiro desenvolveu seus estudos com os segmentos médios cariocas, apontando para questão do individualismo e da emergência de novos padrões de vida, ao passo que Magnani centralizou suas pesquisas em São Paulo com as camadas populares. Ao contrário de outros estudos, este autor procurava compreender os laços de solidariedade e os espaços de lazer da periferia.
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