11/11/2018

História do surgimento da Antropologia

Surgimento da Antropologia

História do surgimento da Antropologia
História do surgimento da Antropologia
A antropologia, como qualquer forma de conhecimento, é um produto da história. Seu surgimento foi privilegiado por um conjunto de acontecimentos que despertaram outra maneira de perceber a diversidade cultural.

A diferença sempre despertou a curiosidade e a imaginação humanas. Entretanto, a antropologia consolidou um conjunto de reflexões que procura entender o “outro” de forma coerente e lógica. Essa postura não seria possível sem as rotas comerciais que conduziram os europeus às Grandes Navegações e à "descoberta" de um mundo novo, antes inimaginável.

O contato com a diversidade radical no seio de uma sociedade imersa em transformações privilegiou o desenvolvimento de uma profunda reflexão sobre o outro e sobre si mesma. Se as navegações foram fundamentais para a Antropologia, foi a expansão da sociedade colonial que consolidou a disciplina. Neste período, o contato com o outro perpetuou seu lugar no cotidiano europeu.


Etnocentrismo e diversidade cultural

Etnocentrismo e diversidade andam juntos, já que o primeiro consiste na dificuldade de lidar com a diferença. O pensamento etnocêntrico ocorre no encontro – ou choque cultural – quando somos confrontados com outros costumes e valores.

Ao nos depararmos com o diferente somos levados a julgá-lo com base em nossos costumes, os quais julgamos “naturais”. O etnocentrismo não é uma exclusividade do ocidente, e ocorre em diferentes sociedades. No entanto, na sociedade ocidental o etnocentrismo foi acompanhado pela expansão colonial, justificando mecanismos de subordinação, exclusão e extermínio de populações inteiras. O relativismo cultural é uma postura oposta ao etnocentrismo, segundo a qual procura-se valorizar a diversidade e o pensamento do “outro”. Ao entender o outro a partir de seus próprios termos, os costumes e valores do observador deixam de ser inatos e tornam-se passíveis de questionamento.


Evolucionismo

O pensamento de cunho antropológico estava em processo de construção desde o século XVI, acompanhando o fluxo da história europeia. No século XVIII, com o humanismo, colocava-se, a partir do conceito de Homem, a possibilidade de atribuir uma unidade à espécie humana.

O evolucionismo surgiu no século XIX e foi uma forma de explicar como essa unidade era possível a despeito das diferenças existentes. Para o evolucionismo havia uma unidade lógica. Entretanto, a humanidade se encontrava em diferentes estágios de desenvolvimento. Assim, a diferença entre um aborígene e um europeu estava em seu grau de desenvolvimento (técnico, jurídico, científico etc.).

Formulou-se a ideia de uma história linear, na qual todas as sociedades saíam do estágio primitivo para chegar à civilização. O ideal de civilização era o modelo europeu, industrial e colonial do século XIX. Para o evolucionismo não cabiam múltiplas possibilidades de desenvolvimento social.

Trabalho de campo

A Antropologia ganhou impulso com o evolucionismo, mas este produzia uma reflexão teórica, pautada em relatos de viajantes, missionários e agentes coloniais. A realidade era, portanto, filtrada por julgamentos e visões de mundo dos observadores.

Os primeiros trabalhos de campo, nos quais os pesquisadores produziam os "estudos intensivos" provocaram grande impacto e questionamento sobre os limites do evolucionismo. Franz Boas, um dos precursores da prática do trabalho de campo, questionava o método histórico, afirmando que as sociedades possuíam desenvolvimento plurilinear.

Para Radcliffe Brown, por sua vez, a dimensão histórica era meramente especulativa em sociedades sem escrita. O foco da pesquisa estava em compreender a totalidade do social tal qual ocorria no momento da pesquisa. Foi com Malinowski que o trabalho de campo se transformou no método etnográfico por excelência, baseado na imersão do pesquisador e na observação participante.


Limites do trabalho de campo

Novamente a história é o fio condutor que levou ao questionamento da antropologia e do método etnográfico. A antropologia se consolidou junto com a expansão colonial do século XIX. Não por acaso as primeiras etnografias são realizadas em possessões coloniais. Com a descolonização vários trabalhos passaram a ser questionados por uma geração de pensadores locais, os quais passaram a produzir conhecimento sobre sua própria realidade.

Um dos questionamentos se dava sobre os limites do entendimento: até que ponto outras realidades eram acessíveis ao estrangeiro? Nos Estados Unidos, a ideia da antropologia como interpretação pensava os limites de entendimento do outro. Não se tratava de alcançar a totalidade de determinada sociedade, mas produzir uma leitura, sempre incompleta, desta realidade. Este foi o ponto de partida para vários questionamentos: a autoridade do texto etnográfico, as relações de poder entre pesquisador e pesquisado etc.
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